sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Gestação e cuidados com filhotes

Preparação para o parto

A gestação na espécie canina dura em média 60 dias, sendo consideradas normais variações entre 58 e 62 dias.
Cerca de 10 dias antes do parto você deve providenciar uma caixa que sirva de “maternidade” . Esta caixa deverá ser larga o suficiente para permitir que a cadela entre e saia com facilidade, mas suas paredes devem ter uma altura que impeça a saída dos filhotes nos primeiros 20 dias de vida. A caixa deve ser colocada no interior do abrigo do canil, ou em outra área quente, tranqüila e familiar à gestante, que necessita de repouso, silêncio, conforto e segurança. Um excelente material para forrar a caixa é o jornal, fácil de ser rasgado pela cadela para fazer a cama, absorvente e descartável. Cobertores, tapetes e toalhas também podem ser usados, mas devem ser lavados com freqüência.
Durante os dias frios é interessante pendurar uma lâmpada de 100 W sobre a caixa, a uma altura de cerca de 1 metro, como fonte adicional de calor, uma vez que baixas temperaturas representam uma séria limitação aos filhotes recém nascidos. Esta lâmpada manterá grande parte da caixa a uma temperatura de +/- 30 °C, e os filhotes poderão escolher uma área aquecida ou mais fresca, conforme suas necessidades.

Sinais que antecedem o parto

A temperatura corpórea normal de um cão adulto é de 38,5 °C, com variações de um grau acima e abaixo. Cerca de 24 horas antes do parto a temperatura da cadela apresentará queda de até 2 graus da temperatura normal. Assim, se você fizer 2 mensurações diárias de temperatura retal da gestante, terá um excelente método para prever o parto. Nessa fase também observa-se aumento da secreção láctea, e a vulva torna-se intumescida e macia ao toque, podendo evidenciar-se um leve corrimento mucoso. A cadela poderá recusar a alimentação e tornar-se muito impaciente.
Antes da iminência do parto é interessante que a cadela possa exercitar-se, tendo oportunidade de urinar e defecar.
Algumas horas antes do parto o corrimento vaginal mucoso torna-se esverdeado. Logo depois, iniciam-se as contrações uterinas primárias. Estas contrações não são necessariamente dolorosas, mas a cadela poderá tornar-se nervosa e agitada.

O parto

Quando aparecerem os sinais de que o parto se aproxima, a cadela deve ser deixada só. Se ela tiver saído da caixa e escolhido um tapete ou outra área da casa, não deve ser removida, mesmo que isso cause algum incômodo posterior, pois movê-la nesse momento pode alterar o trabalho de parto, tornando-o mais difícil.
As contrações uterinas podem ser acompanhadas por contrações da musculatura abdominal, e todo esse esforço visa empurrar os filhotes para o meio externo, através da vagina.
Disponibilizar água bem próximo a cadela.
A expulsão de cada filhote é precedida pela exteriorização da placenta, bolsa repleta de fluido de tonalidade castanha ou levemente esverdeada. Cada filhote é ligado à sua placenta pelo cordão umbilical. Na maioria das vezes aparece primeiro a cabeça do filhote, mas em cerca de 1/3 dos partos a primeira parte a aparecer é a região traseira do filhote. Ambas as posições são consideradas normais.
Uma cadela experiente romperá os envoltórios que recobrem o filhote e o lamberá para limpá-lo. Em seguida, romperá o cordão umbilical e comerá a placenta. Uma membrana placentária não rompida poderá asfixiar o filhote quando ele fizer sua primeira tentativa para respirar. Da mesma maneira, um filhote enrolado pelo cordão umbilical poderá ser estrangulado. Em tais situações, é necessária assistência à cadela, você deve contatar o médico veterinário.
Se a mãe não tomou a iniciativa, o cliente deve estar preparado para remover todas as membranas que recobrem o filhote, limpar sua face e remover o muco de sua boca e nariz.
O cordão umbilical pode então sofrer ligadura a uma distância de 2 dedos do corpo do filhote, e cortado abaixo desse nó. A aplicação de algumas gotas de iodo sobre a extremidade cortada do cordão previnirá infecções, e esta parte remanescente do cordão que fica ligada ao corpo do filhote irá secar e cair naturalmente.
Quando o filhote começar a contorcer-se e chorar espontaneamente, deve ser recolocado junto da mãe, para que comece a mamar e possa receber calor e cuidados maternos. Feito isto, e estando em boas condições físicas, o filhote não deverá ser perturbado.
A maioria dos filhotes nasce a intervalos de 30-60 minutos, mas é possível uma série de variações. Por exemplo, 2 filhotes podem nascer em rápida sucessão, ocorrendo a seguir um período de 4 a 6 horas de descanso. Um período normal de repouso sucede cada nascimento. Durante este período ocorrem contrações mais leves, que auxiliam na expulsão dos envoltórios e secreções, na preparação para o próximo nascimento.
Nascido o último filhote a cadela apresentar-se-á mais relaxada, sem contrações e preocupa-se em atender seus filhotes. Deve ser permitida a ela a oportunidade de executar-se levemente, urinar e defecar. Ela poderá apresentar diarréia durante 1 ou 2 dias após o parto, como resultado da ingestão de placentas, envoltórios e secreções.
O corrimento vaginal poderá tornar-se sanguinolento ou assumir uma coloração verde escura durante alguns dias, mas isto não costuma ser indicio de problemas, a não ser que persista por muito tempo.

Problemas médicos durante o parto

Se um filhote ficar preso na extremidade externa da vagina, é necessária assistência imediata. Segure a parte exposta do filhote com uma toalha limpa e puxe-o suave e firmemente, direcionando-o para fora e para baixo. Não use muita força e não introduza nada na vagina. Se essas manobras obstétricas simples não surtirem efeito, contatar imediatamente o médico veterinário.
Se um filhote nasce enfraquecido ou é ignorado pela mãe, deve receber assistência individual.
Se o recém-nascido apresentar-se enfraquecido e frio, com respiração irregular ou ausente, segure-o firmemente, com ambas as mãos, e agite-o para cima e para baixo. Isto ajudará a drenar o líquido dos pulmões. Para estimular a respiração, seu tórax deve ser suavemente fricionado com uma toalha aquecida. Quando o filhote começar a respirar normalemente por conta própria, devolva-o à mãe. Caso os procedimentos citados não surtam efeito, será necessário o emprego de medicações e de respiração assistida.
Lembre-se que os filhotes nascem com os olhos fechados, os quais só irão abrir entre 12 e 15 dias de vida.
Devemos ter em mente que a maioria dos animais herda de seus ancestrais todas as qualidades necessárias ao parto normal. Uma intervenção desnecessária pode ser prejudicial tanto à mãe como asos filhotes.
A assistência veterinária ao parto é uma garantia de que tudo correrá bem, e é imprescendível no caso de problemas específicos. Assim, cuidados de emergência são necessários, por exemplo, quando após várias horas de esforço e contrações intermitentes, a cadela entra numa fase de descanso sem ter êxito no parto. O mesmo é válido para breves períodos de contrações intensas sem maiores resultados. Em tais situações, e sempre que o médico veterinário constatar a incapacidade da fêmea em ter seus filhotes naturalmente, poderá haver indicação para a operação cesariana.

Cuidados após o parto

Denomina-se puerpério ao período e ao conjunto de fenômenos que se seguem ao parto, até que os órgãos genitais e o estado geral da fêmea retornem à normalidade. É conveniente manter a cadela em observação durante 48 horas após o término do parto, para certificar-se de que não há filhotes ou placentas remanescentes no útero.
Recomenda-se consulta ao médico veterinário para que sejam prescritas medicações para a mamãe, evitando hemorragias e expulsando o conteúdo restante de maneira ordenada, prevenindo assim a ocorrência de infecções e outras complicações puerperais.
Após o parto, e durante o período de amamentação, a mãe necessitará de maior aporte nutricional, chegando a consumir 2 vezes mais alimento que o usual. Esa quantidade de ração deverá ser dividida em pelo menos 3 refeições diárias. Eventualmente, determinadas pacientes necessitarão de suplementação dietética com cálcio e vitaminas, para auxiliar a produção de leite. Em termos gerais, porém, volumes adequados de uma ração de boa qualidade são suficientes para manutenção da lactante, ou ração específica de filhotes.
Água fresca deve ser deixada permanentemente à disposição da cadela, e trocada várias vezes ao dia, especialmente no verão.
Observar diariamente as mamas da cadela. Se houver resíduos de leite seco, deve limpa-las com água morna e massageá-las suavemente.
Ficar atento a anormalidades como descoloração, adelgaçamento ou intumescimento da pele abdominal.
Queda generalizada de pêlos, após o parto e durante o período de lactação, é um problema bastante comum e geralmente representa necessidade de se prescrever suplementação nutricional.

Problemas médicos puerperais

Os problemas mais comumente enfrentados no que tange ao puerério de cadelas e gatas dizem respeito a inflamações mamárias, hemorragias uterinas, infecções uterinas e a um quadro carencial denominado Tetania Hipocalcêmica Puerperal (THP). A THP costuma ser mais freqüente entre o primeiro e o quinto dia após o parto, mas pode ocorrer antes do parto ou até algumas semanas depois. Ocorre em função do grande consumo de cálcio pelo organismo da fêmea, durante a gestação e a lactação, e evidentemente é mais observada naquelas cadelas que não passaram por acompanhamento médico durante a gestação, e que foram alimentadas inadequadamente. A carência de cálcio na corrente circulatória acarreta uma síndrome caracterizada por agitação, dispnéia, incoordenação muscular, tremores intensos e, finalmente, severas convulsões. O advento do quadro é abrupto e a fêmea necessita de cuidados veterinários.
Controlado o processo, agudo, o méd vet deverá recomendar afastamento temporário dos filhotes e prescrever correção alimentar, incluindo medicação que suplemente cálcio.

A TPH costuma ser denominada de “eclampsia”, de modo totalmente errôneo. Na realidade, o termo eclampsia refere-se à forma convulsiva da toxemia gravídica humana, que é um problema cuja tríade sintomática se compõe de edema, hipertensão e proteinúria, e que pode evoluir para coma e morte, mas que na enorme maioria dos casos, nada tem a ver com cadelas, vacas ou fêmeas animais.

Os demais problemas puerperais mencionados, se adequadamente diagnosticados, podem ser controlados e curados com o emprego da medicação indicada, antibióticos, antiinflamatórios, etc.

Alguns cuidados com filhotes órfãos ou rejeitados

Quando, por determinado motivo, filhotes não podem ser mantidos junto à mãe, devem receber cuidados especiais. Além da necessidade inicial de assistência médica, é fundamental a orientação ao cliente sobre determinados procedimentos básicos.
Tais filhotes devem ser mantidos sob aquecimento e receber alimentação de 6 a 10 vezes ao dia. Existem no comércio mamadeiras especiais para cães e gatos, bem como há possibilidade de se adquirir fórmulas prontas que substituem o leite materno.
Os animaizinhos necessitam também de contato, devendo ser acariciados suavemente e movimentados dentro de seu ninho, várias vezes ao dia.
Um motivo freqüente de óbito desses neonatos diz respeito, ao fato de, nas primeiras 2 semanas de vida, serem incapazes de urinar e evacuar sem estímulo externo. Normalmente a mãe lambe constantemente os filhotes, e ao lamber a região ano-genital, estimula a micção e a defecação. Na ausência da mãe, você deve, diversas vezes ao dia, e após a mamada, massagear suavemente a região ano-genital com um chumaço de algodão embebido em água morna, o que desencadeia o processo de esvaziamento da bexiga e do reto.

Receita de leite para filhotes órfãos:

Sucedâneo do leite:
200ml leite integral
1 gema de ovo
1 pitada de sal
1 c.c. de óleo mineral
1 c.c. de mel
10 gotas de vit B12
1 c. s. de água

c.c.= colher de chá c.s.= colher de sopa

Recomendações:
- Fornecer em chuquinha.
- Guardar a 4oC ou congelar.
-Aquecer a 37 graus na hora de utilizar.