sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Zoonoses e Doenças Infecciosas

Zoonoses:
Definição estabelecida pelo comitê da Organização Mundial de Saúde: “Doenças ou infecções naturalmente transmissíeis entre animais vertebrados e seres humanos”.

Resumo das seguintes zoonoses e doenças infecciosas:

Ancilostomíase

Sinonímia: Amarelão, opilação, doença do Jeca Tatu.
Agente etiológico: diversos vermes nematóides da família Ancylostomidae:
Ex: Ancylostoma duodenale e Necator Americanus.
Reservatório: homem.

Modo de transmissão: Os ovos que estão nas fezes são depositados no solo onde se tornam embrionados. Dentro de 7 a 10 dias, e em condições favoráveis de umidade e temperatura, as larvas tornam-se infectantes. A infecção nos homens se dá quando essas larvas infectantes penetram na pele, geralmente pelos pés, causando uma dermartite característica.
As larvas de A. caninum morrem dentro da pele e produzem a “larva migrans cutânea”.
As larvas dos outros ancilóstomos, após penetrarem a pele, passam pelos vasos linfáticos, ganham a corrente sangüínea e nos pulmões penetram nos alvéolos. Daí migram para a traquéia e faringe, são deglutidas e chegam ao intestino delgado.

Transmissibilidade: indivíduos infectados contaminam o solo durante vários anos. As larvas podem permanecer infectantes no solo durante várias semanas.

Complicações: A infecção pode apresentar-se assintomática. Ou pode ocorre anemia, hipoproteinemia (crianças c/ parasitismo intenso), insuficiência cardíaca, anasarca.
Se parasitismo errático nos pulmões, pode haver hemorragia e pneumonite.

Diagnóstico: Exame parasitológico de fezes.

Medidas de controle: Hábitos pessoais de higiene (lavar as mãos antes das refeições e uso de calçados) e saneamento básico.


Brucelose

Sinonímia Febre ondulante, febre de Malta, febre do Mediterrâneo, doença das mil faces.
Agente etiológico Cocobacilos gram-negativos do gênero Brucella: Brucella abortus, biótipos 1-6 e 9; Brucella melitensis, biotipos 1 e 3; Brucella suis, biotipos 1 e 5; Brucella canis.
Reservatórios: Gado bovino, ovino, caprino, suínos e outros animais, como coelhos.

Doença bacteriana sistêmica, com quadro clínico muito polimorfo.
Início pode ser agudo ou insidioso, caracterizado por febre contínua, intermitente ou irregular, e de duração variável. Mal-estar, cefaléia, debilidade, suor profuso, calafrios, artralgia, estado depressivo e perda de peso estão presentes.
Em alguns casos, podem surgir supurações de órgãos, como fígado e baço.
Quadros subclínicos e crônicos são freqüentes e de duração de meses e até anos, se não tratados.
Complicações ósteo-articulares podem estar presentes em cerca de 20 a 60% dos pacientes, (articulação sacroilíaca é a mais atingida).
Orquite e epididimite têm sido relatadas e pode ocorrer endocardite bacteriana. Recidivas ocorrem.

Modo de transmissão:
a) Ingestão de leite crú e verduras cruas, (irrigadas com água ou adubadas com esterco animal contaminado) e derivados provenientes de animais infectados;
b) Contato direto com tecidos, sangue, urina, secreções vaginais, fetos abortados, placenta (importante fonte de infecção). (As brucelas penetram pela pele íntegra, embora pequenas lesões facilitem o contágio;
c) Inalação de aerossóis;
d) Inoculação artificial (acidentes em laboratórios).
Condições climáticas e higiene pessoal e do ambiente também influenciam na transmissão da infecção.

Complicações: Endocardite bacteriana sub-aguda que, pode levar ao óbito;
Artrites são comuns. Infecções do aparelhos geniturinário e respiratório (em alguns casos).

Características epidemiológicas: Freqüentemente ligada à atividade produtiva, comum em trabalhadores que lidam com gado e no beneficiamento de leite e derivados.

Medidas de controle: Consumir leite e outros derivados pasteurizados, evitar contato com animais doentes, cuidado no manejo para eliminação de placentas, secreções e fetos dos animais. Desinfecções das áreas contaminadas por secreções.

Coccidioidomicose

Sinonímia: Febre do Vale do São Joaquim, febre do deserto, reumatismo do deserto.
Agente etiológico: Coccidioides immitis, um fungo dimórfico.
Reservatório: O solo, especialmente de locais secos e com pH salino. A doença acomete o homem e outros animais (gado bovino, ovino, caprino, entre outros).

Micose sistêmica, predominantemente pulmonar, podendo, comprometer pele, laringe, ossos, articulação, meninges, entre outros.
Após a infecção, 60% dos indivíduos apresentam infecção primária inaparente. São sinais freqüentes: comprometimento respiratório baixo, febre, sudorese noturna, dor pleural, dispnéia, tosse produtiva, artralgia, anorexia.
Pode ocorrer em 20% dos casos - eritema nodoso, polimorfo e reações exantemáticas
A forma disseminada é rara, porém fatal, é comum em imunossurpimidos.
Caracteriza-se por lesões pulmonares, abcessos em todo o corpo, especialmente nos tecidos subcutâneos, pele, ossos e SNC.

Modo de transmissão: Inalação dos artroconídeos (forma do fungo no solo).

Período de transmissibilidade: Não é doença contagiosa.

Complicações: Disseminação em imunossuprimidos.

Características epidemiológicas: Incide mais no verão. No Brasil, a maioria dos casos descritos teve vínculo epidemiológico com o hábito de caçar tatu.

Medidas de controle: Umedecer solos secos, umedecer campos de pouso e defecação.


Criptococose

Sinonímia Torulose, blastomicose européia.
Agente etiológico: Fungo, o Cryptococcus neoformans,
variedades neoformans (sorotipo A e D) e gatti (sorotipo B e C).;
O C. neoformans var. neoformans sorotipo A é responsável por mais de 90% das infecções nos pacientes com aids no Brasil,
A variedade gatti acomete principalmente indivíduos sem imunossupressão aparente, sendo mais freqüente em países tropicais e subtropicais.

Reservatório: É um fungo saprófita que vive no solo, frutas secas, cereais e nas árvores e é isolado nos excrementos de aves, principalmente pombos.
Modo de transmissão: Inalação.

A forma cutânea aparece em 10 a 15% dos casos (na maioria das vezes precede doença sistêmica) e é caracterizada por manifestações de lesões acneiformes, rash cutâneo, ulcerações ou massas subcutâneas que simulam tumores.
A forma sistêmica freqüentemente aparece como uma meningite subaguda ou crônica, caracterizada por febre, fraqueza, dor no peito, rigidez de nuca, dor de cabeça, náusea e vômito, sudorese noturna, confusão mental e alterações de visão. Pode haver comprometimento ocular, pulmonar, ósseo e, às vezes, da próstata.

Período de incubação Desconhecido. O comprometimento pulmonar pode anteceder, em anos, ao acometimento cerebral.

Complicações: O fungo pode viver como saprófita na árvore brônquica, podendo
expressar-se clinicamente na vigência de imunodeficiência. 5 a 10% dos aidéticos são acometidos por essa micose. A meningite causada pelo Cryptococcus, se não tratada a tempo, pode levar à morte.

Características epidemiológicas: Doença cosmopolita, de ocorrência esporádica. Geralmente acomete adultos e é duas vezes mais freqüente no gênero masculino. A infecção pode ocorrer em animais (gatos, cavalos, vacas). A suscetibilidade é geral, mas parece que a raça humana tem uma notável resistência. A suscetibilidade aumenta com o uso prolongado de corticosteróide, na vigência de Aids, Hodgkin e Sarcoidose.

Medidas de controle: Controle de proliferação de pombos - diminuir a disponibilidade de alimento, água e principalmente os abrigos, visando reduzir a população. Umidificar locais com acúmulo de fezes para a remoção, evitando a
dispersão por aerossóis.


Criptosporidíase

Agente etiológico: Cryptosporidium parvum.
Reservatório: O homem, o gado e animais domésticos.
Modo de transmissão: Fecal-oral, de animais para o homem ou entre pessoas, pela ingestão de oocistos, que são formas infecciosas e esporuladas do protozoário.

Infecção causada por protozoário coccídeo, parasito reconhecido como patógeno animal. Atinge as células epiteliais das vias gastrointestinais, biliares e respiratórias do homem, de diversos animais vertebrados e grandes mamíferos. É responsável por diarréia esporádica em todas as idades, diarréia aguda em crianças e a diarréia dos viajantes. Em indivíduos imunocompetentes, esse quadro é auto-limitado, entre 1 e 20 dias, com duração média de 10 dias. Em imunodeprimidos, particularmente com infecção por HIV, ocasiona enterite grave, caracterizada por diarréia aquosa, acompanhada de dor abdominal, mal-estar, anorexia, náuseas, vômitos e febre. Esses pacientes podem desenvolver diarréia crônica e severa, acompanhada de desnutrição, desidratação e morte fulminante. Nessa situação, podem ser atingidos os pulmões, trato biliar ou surgir infecção disseminada.

Complicações: Enterite, seguida de desnutrição, desidratação e morte fulminante. Comprometimento do trato biliar.

Características epidemiológicas: Em países em desenvolvimento, pode atingir até 30%. Os grupos mais atingidos são os menores de 2 anos, pessoas que manipulam animais, viajantes, homossexuais e contatos íntimos de infectados.
Há relatos de epidemias a partir de água potável contaminada, além de banhos de piscina ou de lagoas contaminadas.

Medidas de controle: Desinfecção das fezes e de material contaminado com as mesmas.

Dengue

Sinonímia: Febre de quebra ossos.
Agente etiológico: É o vírus do dengue (RNA). Arbovírus do gênero Flavivírus, pertencente à família Flaviviridae, com 4 sorotipos conhecidos: 1, 2, 3 e 4.
Vetores hospedeiros: Os vetores são mosquitos do gênero Aedes. Nas Américas, o vírus da dengue persiste na natureza mediante o ciclo de transmissão homem - Aedes aegypti - homem. A fonte da infecção e hospedeiro vertebrado é o homem.

Modo de transmissão: A transmissão se faz pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti, no ciclo homem - Aedes aegypti - homem. Após um repasto de sangue infectado, o mosquito está apto a transmitir o vírus, depois de 8 a 12
dias de incubação extrínseca. A transmissão mecânica também é possível,
quando o repasto é interrompido e o mosquito, imediatamente, se
alimenta num hospedeiro suscetível próximo. Não há transmissão por
contato direto de um doente ou de suas secreções com uma pessoa sadia,
nem por fontes de água ou alimento.
Período de incubação: De 3 a 15 dias, em média 5 a 6 dias.
Período de transmissibilidade: O homem infecta o mosquito durante o período de viremia, que começa um dia antes da febre e perdura até o sexto dia de doença.

Doença infecciosa febril aguda, que pode ser de curso benigno ou grave,infecção inaparente, dengue clássico (DC), febre hemorrágica da dengue (FHD) ou síndrome de choque da dengue (SCD).

Complicações: Choque, hemoconcentração e falência circulatória.

Medidas de controle: As medidas de controle se restringem ao vetor Aedes aegypti.


Doença de Chagas

Sinonímia: Tripanosomíase Americana.
Agente etiológico: Trypanosoma cruzi, protozoário flagelado da ordem Kinetoplastida, família Trypanosomatidae, caracterizado pela presença de um flagelo e uma única mitocôndria.
No sangue dos vertebrados, o Trypanosoma cruzi se apresenta sob a forma de trypomastigota e, nos tecidos, como amastigotas.
Nos invertebrados (insetos vetores), ocorre um ciclo com a transformação dos tripomastigotas sangüíneos em epimastigotas, que depois se diferenciam em trypomastigotas metacíclicos, que são as formas infectantes acumuladas nas fezes do inseto.

Reservatórios: Homem, mamíferos domésticos (gato, cão,porco doméstico ) e silvestres (rato de esgoto, rato doméstico, macaco de cheiro, sagüi, tatu, gambá, cuíca, morcego, dentre outros.
Importantes: cão, rato, gambá, tatu, porco doméstico.
Aves e animais de “sangue frio” (lagartos, sapos) são refratários à infecção.

Vetores: Triatoma infestans, Triatoma brasiliensis, Panstrongylus megistus, Triatoma pseudomaculata, Triatoma sordida, dentre outros.

Modo de transmissão: A natural ou primária é a vetorial, que se dá através das fezes dos triatomíneos (“barbeiros” ou “chupões”), que defecam após o repasto.
A transmissão transfusional pelo ineficiente sistema de controle das transfusões
Transmissão congênita - muitos dos conceptos têm morte prematura.

Período de incubação: De 5 a 14 dias após a picada do vetor, quando existe sintomatologia. Por transfusão, o período é mais longo, de 30 a 40 dias.
As formas crônicas se manifestam mais de dez anos após a infecção inicial.

Descrição
Doença parasitária que se manifesta sob várias formas: aguda, indeterminada
e crônica.
Fase aguda: quando aparente, é caracterizada por miocardite, na maioria das vezes só traduzível eletrocardiograficamente.
As manifestações gerais são de febre (pouco elevada), mal-estar geral, cefaléia,
astenia, hiporexia, edema, hipertrofia de linfonodos, hepato-esplenomegalia,
meningoencefalite (rara). Pode apresentar sinal de porta de entrada aparente:
Sinal de Romaña (edema ocular bipalpebral unilateral) ou Chagoma
de Inoculação (lesão cutânea semelhante a um furúnculo que não supura).

Passada a fase aguda aparente ou inaparente, o indivíduo permanece na
Forma indeterminada: infecção assintomática, que pode nunca se evidenciar
clinicamente ou se manifestar anos ou décadas mais tarde da infeção
inicial.
As Formas crônicas com expressão clínica podem ser:
a) Cardíaca principal causa de morte. Pode apresentar-se sem sintomatologia, mas com alterações eletrocardiográficas, ou ainda como síndrome de insuficiência cardíaca progressiva, insuficiência cardíaca fulminante, ou com arritmias graves e morte súbita.
Seus sinais e sintomas são: palpitação, dispnéia, edema, dor precordial, dispnéia paroxística noturna, tosse, tonturas, desmaios, acidentes embólicos, extrassistolias, desdobramento de segunda bulha, sopro sistólico, hipofonese de segunda bulha e sopro sistólico.
As principais alterações eletrocardiográficas são: bloqueio completo do ramo direito (BCRD), hemibloqueio anterior esquerdo (HBAE), bloqueio AV do primeiro, segundo e terceiro graus, extrassístoles ventriculares, sobrecarga de cavidades cardíacas, alterações da repolarização ventricular, dentre outras. O Rx de tórax revela cardiomegalia;
b) Digestiva Alterações ao longo do trato digestivo, ocasionadas por lesões dos plexos nervosos (destruição neuronal simpática), com conseqüentes alterações da motilidade e morfologia, sendo o megaesôfago e o megacólon as manifestações mais comuns. No megaesôfago, observa-se disfagia (sintoma mais freqüente e dominante), regurgitação, epigastralgia ou dor retroesternal, odinofagia (dor à deglutição), soluço, ptialismo (excesso de salivação), emagrecimento (podendo chegar a caquexia), hipertrofia das parótidas. No megacólon: constipação intestinal (instalação lenta e insidiosa), meteorismo, distensão abdominal, fecaloma. As alteraçõesradiológicas são importantes no diagnóstico da forma digestiva;
c) Forma mista forma cardíaca e digestiva, podendo apresentar + de 1 mega;
d) Formas nervosas e de outros megas
São aventadas, mas não parecem ser manifestações importantes da doença;
e) Forma congênita
Os sinais clínicos são a hepatomegalia e esplenomegalia, presente em
todos os casos, icterícia, equimoses e convulsões decorrentes da hipoglicemia.
Não há relato de ocorrência de febre.

Período de transmissibilidade: Portadores do T. cruzi alberga o parasito no sangue e nos tecidos por toda a vida. Entretanto, a infecção só passa de pessoa a
pessoa através do sangue (transfusão ou placenta).

Complicações: Na fase aguda: miocardite, ICC grave e meningoencefalite.
Na fase crônica: fenômenos tromboembólicos devido a aneurisma de ponta do coração. Esofagite, fístulas e alterações pulmonares (refluxo), em conseqüência do megaesôfago. Volvos, torções e fecalomas, devido a megacólon.

Características epidemiológicas: Parasitose exclusiva do continente americano. No Brasil, a transmissão já chegou a atingir 36% do território.

Medidas de controle: Melhoria ou substituição das habitações que propiciam a domiciliação dos “barbeiros”, ou do controle químico do vetor (uso regular e sistemático de inseticidas de poder residual intra e peridomiciliar).
Controle da qualidade do sangue transfundido

Doença de Lyme

Sinonímia: Borreliose de Lyme; meningopolineurite por carrapatos, artrite de Lyme, eritema migratório.
Agente etiológico: Borrelia burgdorferi.
Reservatório: Carrapatos do gênero Ixodes (Ixodes scapularis, I. ricinus, I. pacificus).
Modo de transmissão: Pela picada das ninfas do carrapato, que ficam aderidas à pele do hospedeiro

Zoonose transmitida por carrapatos e causada por uma espiroqueta (Borrelia burgdorferi), caracterizada por pequena lesão cutânea, expansiva, única ou múltipla, do tipo mácula ou pápula de coloração avermelhada no local em que o carrapato sugou o sangue. À medida em que a área de rubor se expande até 15cm (limites de 3 a 68cm) a lesão assume característica anelar, quente e raramente dolorosa.
Manifestações clínicas iniciais como mal-estar, febre, cefaléia, rigidez de nuca, mialgias, artralgias migratórias e linfadenopatias, podem estar presentes. Podem durar várias semanas, nos casos em que o tratamento não é instituído, e semanas ou meses após, podem surgir manifestações neurológicas (15% dos casos) como meningite asséptica, encefalite, coréia, neurite de pares craneanos (incluindo a paralisia facial bilateral), radiculoneurite motora e sensorial. O padrão usual é a meningoencefalite flutuante, com paralisia de nervo craneano. Cerca de 8% dos pacientes desenvolvem comprometimento cardíaco com bloqueio atrioventricular, miopericardite aguda e evidências de disfunção ventricular esquerda. Cerca de 60% dos pacientes, após semanas a 2 anos do inicio da doença, podem desenvolver artrite franca, em geral caracterizada por crises intermitentes de edema e dor articular assimétricos, em especial nas grandes articulações.

Período de incubação: Varia de 3 - 32 dias, (média 7 - 14 dias) e vai desde a exposição ao carrapato-vetor até o aparecimento do eritema crônico migratório.
Se não houver a lesão cutânea na fase inicial, a doença pode se manifestar anos mais tarde.

Complicações: Grave envolvimento neurológico, cardíaco e articular.

Características epidemiológicas: No Brasil, os estados de São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Amazonas têm relatado casos isolados da doença.

Medidas de controle: Limpeza da área onde os carrapatos transmissores estão presentes. Retirada dos carrapatos de animais ou no indivíduodeve ser feita tendo as mãos protegidas (luvas ou sacos plásticos), uso de pinças com trações suaves e constantes, evitando-se o maceramento do corpo do artrópode ou a permanência de seu aparelho bucal na pele do indivíduo.


Esquistossomose

Agente etiológico: Schistosoma mansoni, família Schistosomatidae.
Reservatório: O homem é o principal reservatório. Roedores, primatas e marsupiais são potencialmente infectados; o camundongo e hamster são excelentes hospedeiros, e é indeterminado o papel desses animais na transmissão.
Hospedeiro intermediário: No Brasil, são os caramujos do gênero Biomphalaria: B. glabrata, B.tenagophila, B. stramínea.
Modo de transmissão: Os ovos do S. mansoni são eliminados pelas fezes do hospedeiro infectado (homem). Na água, eclodem, liberando larvas ciliadas denominadas miracídios, que infectam o caramujo. Após 4 a 6 semanas, abandonam o caramujo, na forma de cercária, ficando livres nas águas naturais. O contato humano com águas infectadas pelas cercárias é a maneira pela qual o indivíduo adquire a esquistossomose.

A sintomatologia clínica depende do estágio de evolução do parasito no hospedeiro. A forma aguda pode ser assintomática ou apresentar-se como dermatite urticariforme, acompanhada de erupção papular, eritema, edema e prurido até 5 dias após a infecção. Com cerca de 3 a 7 semanas de exposição, pode surgir o quadro de esquistossomose aguda ou febre de Katayama, caracterizado por febre, anorexia, dor abdominal e cefaléia. Esses sintomas podem ser acompanhados de diarréia, náuseas, vômitos ou tosse seca, ocorrendo hepatomegalia. Após 6 meses de infecção, o quadro clínico pode evoluir para esquistossomose crônica, cujas formas clínicas são:

Período de incubação: 2 a 6 semanas após a infecção.
Período de transmissibilidade: O homem pode eliminar ovos viáveis de S. mansoni nas fezes a partir de 5 semanas após a infecção, durante muitos anos.
Os caramujos eliminam cercárias durante toda a sua vida (semanas a 3 meses).
Complicações: Fibrose hepática, hipertensão portal, insuficiência hepática severa, hemorragia digestiva, cor pulmonale, comprometimento do sistema
nervoso central e de outros órgãos, secundário ao depósito ectópico de ovos. Nos rins, pode ocorrer glomerulonefrite.
Características epidemiológicas: No Brasil, é considerada uma endemia em franca expansão e já atinge 19 estados, estando presente, de forma endêmica e focal. Possui baixa letalidade e as principais causas de óbito estão relacionadas
às formas clínicas graves.

Medidas de controle: Tratamento dos portadores de S. mansoni, através de inquéritos coproscópicos, e quimioterapia específica. Medidas de saneamento ambiental nos focos de esquistossomose.

Estrongiloididíase

Agente etiológico: O helminto Strongiloides stercoralis.
Reservatório: Homem. Gatos, cães e primatas têm sido encontrados infectados.
Modo de transmissão: As larvas infectantes (filarióides), presentes no meio externo, penetram através da pele, chegando aos pulmões, traquéia, epiglote, atingindo o trato digestivo, via descendente, onde se desenvolve o verme adulto e são liberadas larvas rabditóides (não infectantes), que saem através das fezes e podem evoluir, no meio externo, para a forma infectante ou para adultos de vida livre, que, ao se acasalarem, geram novas formas evolutivas.
Pode ocorrer, também, auto-endoinfecção, quando as larvas passam a ser filarióides no interior do próprio hospedeiro - as larvas filarióides são transformadas na região anal ou perianal, onde novamente penetram no organismo do hospedeiro.

Doença parasitária intestinal, freqüentemente assintomática.
As formas sintomáticas apresentam inicialmente alterações cutâneas, secundárias
à penetração das larvas na pele e caracterizadas por lesões urticariformes
ou maculopapulares, ou por lesão serpiginosa ou linear pruriginosa
migratória (larva currens).
A migração da larva pode causar manifestações pulmonares, como tosse seca, dispnéia ou broncoespasmo e edema pulmonar (Síndrome de Löeffer).
As manifestações intestinais podem ser de média ou grande intensidade, com diarréia, dor abdominal e flatulência, acompanhadas ou não de anorexia, náusea, vômitos e dor epigástrica, que pode simular quadro de úlcera péptica.
Podem, ainda, ocorrer infecções secundárias como: meningite,
endocardite, sepse e peritonite, mais freqüentemente por enterobactérias
e fungos. Esses quadros, quando não tratados conveniente e precocemente,
podem atingir letalidade de 85%.
Período de incubação: Ocorre 2 a 4 semanas entre a penetração através da pele e o aparecimento de larvas rabditóides nas fezes.
O período para a manifestação dos primeiros sintomas é variado.
Período de transmissibilidade : Enquanto o homem portar larvas poderá transmití-las.

Diagnóstico: Exame parasitológico de fezes, escarro ou lavado gástrico.
Características epidemiológicas: A doença ocorre mais em regiões tropicais e subtropicais.

Medidas de controle: Redução da fonte de infecção com tratamento sanitário adequado das fezes e uso de calçados. Tratar animais domésticos infectados.


Febre Amarela (FA)

Agente etiológico: Vírus amarílico, arbovírus do gênero Flavivírus e família Flaviviridae. ( RNA vírus).
Vetores/reservatórios e hospedeiros: Na FA Urbana, o mosquito Aedes aegypti é o principal vetor e reservatório e o homem, o único hospedeiro de importância epidemiológica. O principal vetor e reservatório da FA Silvestre é o mosquito do gênero Haemagogus janthinomys.
Os hospedeiros naturais são os primatas não humanos (macacos).
O homem não imunizado entra nesse ciclo acidentalmente.

Modo de transmissão: FAU - transmissão através da picada do mosquito Aedes aegypti, no ciclo: homem infectado → Aedes aegypti → homem sadio.
FAS - macaco infectado → mosquito silvestre → macaco sadio.

Doença febril aguda, de curta duração (no máximo 12 dias) e de gravidade variável.
Apresenta-se como infecções subclínicas até formas graves, fatais.
Período de incubação: 3 a 6 dias, após a picada do mosquito infectado
Período de transmissibilidade: O sangue dos doentes é infectante 24 a 48 horas antes do aparecimento dos sintomas até 3 a 5 dias após, tempo que corresponde ao período de viremia. No mosquito Aedes aegypti, o período de incubação é de 9 a 12 dias, após o que se mantém infectado por toda a vida.

Medidas de controle:
• A vacinação é em dose única e confere proteção próxima a 100%.
Deve ser realizada a partir dos nove meses de idade, com reforço a cada
10 anos, nas zonas endêmicas, de transição e de risco potencial, assim como para todas as pessoas que se deslocam para essas áreas.
Em situações de surto ou epidemia, vacinar a partir dos seis meses de idade.
• Redução da população do Aedes aegypti.


Febre Maculosa

Sinonímia: Pintada, febre que pinta, febre chitada.
Agente etiológico: Rickettsia rickettsii, da família Rickettsiaceae, parasita intracelular obrigatório, com característica de bactéria gram negativa.
Reservatório: No Brasil, o principal reservatório são os carrapatos da espécie Amblyomma (A. cajennense e A. cooperi), “carrapato estrela”, “carrapato de cavalo” ou “rodoleiro”; as ninfas por “vermelhinhos”, e as larvas por “micuins”.
Qualquer espécie de carrapato potencialmente poderá ser um reservatório (ex.: Riphicephalus sanguineus - carrapato do cão). Animais silvestres e domésticos podem ser hospedeiros acidentais e participariam do ciclo como transportadores do vetor.
Modo de transmissão: Adesão dos carrapatos infectados à pele do hospedeiro. Quanto maior o tempo de contato para sucção de sangue, maior é a possibilidade de transmissão do agente causal.
A partir do carrapato infectado, outros podem tornar-se infectados, através de transmissão vertical (transovariana), da transmissão estádio-estádio (transestadial) ou transmissão através da cópula.
Não existe transmissão inter-humana.

A febre maculosa brasileira (FMB) é uma doença infecciosa febril aguda, de gravidade variável, podendo cursar assintomática ou com sintomas bruscos até formas graves com elevada taxa de letalidade.
Início brusco, com febre elevada, cefaléia, mialgia intensa e prostração, seguida de exantema máculo-papular predominantemente nas regiões palmar e plantar, que pode evoluir para petéquias, equimoses e hemorragias. As lesões hemorrágicas têm tendência à confluência e à necrose, principalmente em lóbulos das orelhas, bolsa escrotal e extremidades.
Edema de membros inferiores, hepatoesplenomegalia discreta e oligúria estão presentes nos casos mais graves.
Pacientes não tratados evoluem para um estado de torpor, confusão mental,
alterações psicomotoras, icterícia, convulsões e coma.
80% dos indivíduos, com forma grave, evoluem para óbito.
Pode ser de difícil diagnóstico, sobretudo na fase inicial da doença.
Período de incubação: 2 a 14 dias (em média 7 dias).
Período de transmissibilidade: Os carrapatos infectados permanecem como vetor infectante durante toda a vida, que em geral é de 18 meses.
Complicações: Alterações isquêmicas (tromboses e gangrenas), miocardite, insuficiência respiratória grave, insuficiência renal aguda, hemorragias digestiva e cerebral e sepsis.

Medidas de controle: Havendo carrapatos na pele, coletá-los com luvas e pinças, A doença parece ocorrer com maior freqüência em indivíduos que permanecem com o vetor no corpo por mais de 6 horas.
O rodízio de pastos e capina da vegetação pode trazer alguns resultados no controle da população de carrapatos.
O uso de carrapaticidas deve fazer parte de um programa contínuo de controle principalmente quando houver participação de eqüinos como hospedeiros primários do carrapato.
Evitar as áreas infestadas por carrapatos, e usar roupas claras e de mangas compridas para facilitar a visualização bem como criar o hábito de sempre fazer a inspeção no corpo para verificar a presença de carrapatos.

Febre Tifóide

Agente etiológico: Salmonella typhi, bactéria gram negativa.
Reservatório: O homem doente ou portador assintomático.
Modo de transmissão: Doença de veiculação hídrica e alimentar, pela ingestão de água, moluscos, leite e derivados, contaminados por portadores ou pacientes oligossintomáticos, sendo por isso a febre tifóide conhecida como a doença das mãos sujas. Raramente as moscas participam da transmissão.

Doença aguda, cujo quadro clínico apresenta-se geralmente com febre alta, cefaléia, mal-estar geral, anorexia, bradicardia relativa (dissociação pulso-temperatura, conhecida como Sinal de Faget), esplenomegalia, manchas rosadas no tronco (roséola tífica), obstipação intestinal ou diarréia e tosse seca.
Pode haver comprometimento do sistema nervoso central.
A febre tifóide tem distribuição mundial e está associada a baixos níveis sócio-econômicos, principalmente a precárias condições de saneamento.

Período de incubação: Em média, 2 semanas.

Complicações: Hemorragia intestinal e, mais raramente, perfuração intestinal.

Medidas de Controle: Desinfecção concorrente das fezes, urinas e objetos contaminados. Medidas de higiene, principalmente em relação à limpeza rigorosa das mãos.


Filaríase por Wuchereria bancrofti (Elefantíase)

Sinonímia: Filariose, filaríase de Bancrofti, elefantíase.
Agente etiológico :Wuchereria bancrofti.
Reservatório: homem.
Modo de transmissão: Pela picada dos mosquitos transmissores com larvas infectantes (L3). O Culex quinquefasciatus é o principal transmissor no Brasil.

A filariose por Wuchereria bancrofti é causada por um nematódeo que vive nos
vasos linfáticos dos indivíduos infectados, apresentando diversas manifestações
clínicas. Existem portadores assintomáticos mesmo havendo ou não detecção de microfilárias no sangue periférico. Outros podem apresentar febre recorrente aguda, astenia, mialgias, fotofobia, quadros urticariformes, pericardite e cefaléia, linfadenite e linfangite retrograda, com ou sem microfilaremia.
Casos crônicos mais graves são de indivíduos que apresentam hidrocele, quilúria e elefantíase de membros, mamas e órgãos genitais. Nesses casos, em geral, a densidade de microfilária no sangue é muito pequena ou mesmo não detectável.

Período de incubação: Manifestações alérgicas podem aparecer 1 mês após a infecção. As microfilárias, em geral, aparecem no sangue periférico de 6 a 12 meses após a infecção com as larvas infectantes da W. bancrofti.

Período de transmissibilidade: Não se transmite de pessoa a pessoa.
Complicações: Hidrocele, linfoscroto, elefantíase e hematoquilúria.
Características epidemiológicas: A filariose linfática tem grande importância na África. Foi uma doença prevalente no Brasil, mas, hoje, encontra-se restrita a alguns focos persistentes no Pará, Pernambuco e Alagoas.

Medidas de controle:
Redução/eliminação dos criadouros potenciais no domicílio e peridomicílio,


Giardíase

Sinonímia: Enterite por giárdia.
Agente etiológico: Giardia lamblia, protozoário flagelado que existe sob as formas de cisto (forma infectante) e trofozoíto.
Reservatório: Homem e animais domésticos (cão, gato) ou selvagens (castores).
Modo de transmissão:
Direta- contaminação das mãos - ingestão de cistos existentes em dejetos
Indireta - ingestão de água ou alimento contaminado.
Período de incubação: De 1 a 4 semanas, com média de 7 a 10 dias.

Infecção por protozoários que atinge, principalmente, a porção superior do intestino delgado.
Infecção sintomática - diarréia e dor abdominal.
Esse quadro pode ser de crônico, caracterizado por dejeções amolecidas, com aspecto gorduroso, acompanhadas de fadiga, anorexia, flatulência e distensão abdominal. Anorexia, associada com má absorção, pode ocasionar perda de peso e anemia. Não há invasão intestinal.

Período de transmissibilidade: Enquanto persistir a infecção.

Complicações: Síndrome de má absorção.

Medidas de controle:
a) Específicas Adequadas instalações sanitárias, educação sanitária,
b) Gerais: Filtração da água potável. Saneamento básico;
c) Isolamento: Pessoas e animais com giardíase devem ser afastadas de crianças e outros animais. Desinfecção de locais com fezes e material contaminado.


Hantaviroses

Sinonímia:
Febre Hemorrágica com Síndrome Renal -Febre hemorrágica epidêmica, febre hemorrágica coreana, nefropatia epidêmica.
Síndrome Pulmonar por Hantavírus - Síndrome de insuficiência pulmonar do adulto por vírus hantavírus (SIRA).
Agente etiológico: vírus RNA. O gênero hantavírus pentence à família Bunyaviridae

Reservatórios: roedores, especialmente os silvestres.
Cada genótipo de hantavírus parece ter tropismo por uma espécie de roedor.
Nos roedores, a infecção não é letal, e são reservatório dos vírus por toda vida.
Os Hantavírus são isolados de fragmentos de pulmões e rins (apesar da presença de anticorpos séricos),
São eliminados na saliva, urina e fezes, durante longo período.

Modo de transmissão: Inalação de aerossóis formados a partir de secreções e excreções dos roedores. Ingestão de alimentos e água contaminados.
Percutânea - escoriações cutâneas e mordeduras de roedor;
Contato do vírus com mucosas (conjuntival p ex.- trabalhadores de biotérios)
Há ainda possibilidade de transmissão pessoa a pessoa.

Doenças agudas que se manifestam sob as formas de:
Síndrome Pulmonar por Hantavírus (SPH). (nas Américas, até o momento, só foi diagnosticada a SPH, cujas principais manifestações são:
febre, mialgias, náuseas dor abdominal, vômitos e cefaléia e vertigem (tontura); seguidas de tosse produtiva, dispnéia, taquipnéia, taquicardia, hipotensão, hipoxemia arterial, acidose metabólica e edema pulmonar não cardiogênico.
O paciente evolui para insuficiência respiratória aguda e choque circulatório.
Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (FHSR)
Febre, cefaléia, mialgia, dor abdominal, náuseas, vômitos, rubor facial, petéquias e hemorragia conjuntival, seguidos de hipotensão, taquicardia, oligúria e hemorragias severas, evoluindo para um quadro de poliúria, que antecipa o início da recuperação, na maioria dos casos.

Período de incubação: Em média 12 a 16 dias, com uma variação de 5 a 42 dias.

Período de transmissibilidade: Desconhecido.

Complicações: Na SPH: insuficiência respiratória aguda e choque circulatório.
Na FHSR: insuficiência renal irreversível.

Características epidemiológicas: No Brasil, a doença tem sido diagnosticada de forma esporádica, sendo que os três primeiros casos (1993) SPH foram identificados em SP-Juquitiba.

Medidas de controle:
Controle de roedores -Eliminação de fonte de alimento e de abrigo, evitar entulhos, armazenar insumos e produtos agrícolas longe das residências e em galpões elevados de 30 a 34 cm do solo, vedar fendas das residências e manter coleta e disposição de lixo adequadas, e o plantio distante 30 metros das residências;
Desinfecção de ambientes potencialmente contaminados : usar desinfetantes como o hipoclorito de sódio a 0,3%, (aproximadamente 1 medida de água sanitária comercial, ou alvejante comercial, diluída em 9 medidas de água).
Em habitações fechadas, deve-se ventilá-las por 30 minutos, antes da entrada, que deve se dar com máscaras ou equipamentos de pressão (+).

Histoplasmose

Agente etiológico: Histoplasma capsulatum, fungo dimórfico que existe no solo, em fase micelial, e se converte em fase leveduriforme na temp do homem (37ºC).
Reservatório e fonte de infecção: Histoplasma capsulatum presente em solos ricos em subst, orgânicas, c/ pH ácido e, especial//te, contaminados c/ fezes de aves, morcegos ou pássaros agregados.
Pode causar infecções naturais em animais, como cães e morcegos, os quais excretam fungos através de lesões intestinais
Modo de transmissão: A proliferação dos microorganismos no solo gera microconídeos e macroconídeos tuberculados; a infecção é adquirida pela inalação microconídias da fase filamentosa do fungo, suspenso em aerossóis.

A histoplasmose é uma infecção fúngica sistêmica assintomática ou disseminada
A grande maioria das infecções primárias (>90%) é assintomática.
Alguns indivíduos apresentam formas semelhantes ao estado gripal
Ao inalar microconídias da fase filamentosa do fungo, estas penetram até o alvéolo pulmonar, onde são englobadas pelos macrófagos, iniciando-se a fase leveduriforme no parênquima pulmonar, invadindo, posteriormente, os linfonodos hilo-mediastinais e disseminando-se pela corrente sanguínea.
Essa fungemia geralmente é assintomática, permitindo que o agente parasite todos os tecidos do sistema monocítico-histiocitário, (Ex pulmões, fígado, baço, linfonodos e estruturas linfáticas do tubo digestivo).
A partir daí, a resposta tissular do hospedeiro contra a infecção vai determinar a extensão da doença.

Período de incubação: É variável, geralmente de 1 a 3 semanas.
Características epidemiológicas: A enfermidade clínica é muito pouco freqüente e a forma progressiva grave é rara; Em áreas onde a infecção é prevalente, a hipersensibilidade à histoplasmina indica infecção prévia que pode chegar, às vezes, a 80% da população. A prevalência eleva-se da infância até os 15 anos de idade, não existindo diferença entre os sexos. Ocorre, na América do Sul, na bacia do Rio da Prata e na Serra do Mar.


Influenza

Sinonímia: Gripe, resfriado.
Agente etiológico: Vírus da influenza, que são compostos de RNA de hélice única, da família dos Ortomixovírus e subdividem-se em 3 tipos: A, B e C. São vírus altamente transmissíveis e mutáveis (tipo A é + mutável que o B, e este, + que o C). Tipos A e B causam maior morbidade e mortalidade (destaque em saúde publica).
Reservatório: Tipo A: humanos, suínos, cavalos, mamíferos marinhos e em aves.
Os vírus do tipo B ocorrem exclusivamente em humanos, os do tipo C em humanos e suínos.

Modo de transmissão: A transmissão se dá através das vias respiratórias. Apesar da transmissão inter-humana ser a mais comum, já foi documentada a transmissão direta do vírus, a partir de aves e suínos para o homem.

Doença contagiosa aguda do trato respiratório, viral e de distribuição global.
Início abrupto de febre alta, em geral acima de 38º C, seguido de mialgia, dor de garganta, prostração, dor de cabeça e tosse seca.
Os sintomas sistêmicos são muito intensos nos primeiros dias da doença. Com a sua progressão, os sintomas respiratórios tornam-se mais evidentes e mantém-se em geral por 3 a 4 dias, após o desaparecimento da febre.
Outros sintomas podem ser rouquidão, tosse seca e queimação retro-esternal ao tossir.
Nas crianças, a temperatura pode atingir níveis mais altos, sendo comum o aumento dos linfonodos cervicais.
Os idosos podem apresentar-se febris, às vezes sem outros sintomas, mas em geral a temperatura não atinge níveis elevados.
Caráter epidêmico - disseminação rápida e marcada morbidade nas populações.
Período de incubação: Em geral de 1 a 4 dias.

Período de transmissibilidade: de 2 dias, antes dos sintomas, e até 5 dias após.

Complicações: As complicações são mais comuns em idosos e indivíduos debilitados, portadores de doenças crônicas a exemplo de doença crônica pulmonar (Asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica - DPOC), cardiopatias (Insuficiência Cardíaca Crônica), doença metabólica crônica (Diabetes, por exemplo), imunodeficiência ou imunodepressão, gravidez, doença crônica renal e hemoglobinopatias.
As complicações pulmonares mais comuns são as pneumonias bacterianas secundárias. Uma complicação incomum, e muito grave, é a Pneumonia Viral Primária pelo vírus da influenza.
Nos imunocomprometidos, o quadro clínico é mais arrastado e muitas vezes mais severo.
Gestantes no segundo ou terceiro trimestres da gravidez estão mais propensas à internação hospitalar.
Outras complicações incluem Miosite, Miocardite, Pericardite, Síndrome do Choque Tóxico, Síndrome de Guillain-Barré e raro, Encefalite e Mielite Transversa.

Características Epidemiológicas: De distribuição mundial, ocorre de forma esporádica, ou como surto localizado, regional, em epidemias e também como devastadoras pandemias. O potencial pandêmico da influenza reveste-se de grande importância, a exemplo da chamada “Gripe Espanhola” ocorrida em 1918/19 com mais de 20 milhões de mortes em todo o mundo.
Em anos epidêmicos, a taxa de ataque na comunidade atinge aproximadamente
15%, sendo ao redor de 2% em anos não epidêmicos.
Em comunidades fechadas, este número sobe para 40 a 70%, sendo que a taxa de ataque secundário situa-se ao redor de 30%.


Leischimaniose Tegumentar Americana

Sinonímia: Úlcera de Bauru, nariz de tapir, botão do oriente.
Agente etiológico: L Viannia braziliensis, L amazonensis, Viannia guyanensis
Reservatório: Marsupiais, roedores, preguiça, tamanduá, cão, eqüinos e mulas.
Modo de transmissão: picada de insetos flebotomíneos do gênero Lutzomya.
Período de incubação: É em média de 2 a 3 meses, ou 2 semanas até 2 anos.

Doença parasitária da pele e mucosas, de caráter pleomórfico, causada por protozoários do gênero Leishmania.
Forma cutânea: pápulas que evoluem para úlceras com fundo granuloso e bordas infiltradas em moldura únicas ou múltiplas e são indolores.
Também pode manifestar-se como placas verrucosas, papulosas, nodulares, localizadas ou difusas.
Forma mucosa, secundária ou não à cutânea, caracteriza-se por infiltração, ulceração e destruição dos tecidos da cavidade nasal, faringe ou laringe.
Podendo ocorrer perfurações do septo nasal e/ou do palato.

Período de transmissibilidade
Desconhecido. Não há transmissão homem a homem. A transmissão se dá através do vetor que adquire o parasito ao picar reservatórios, transmitindo-o ao homem.

Complicações Na forma mucosa grave - disfagia, disfonia, insuficiência respiratória por edema de glote, pneumonia por aspiração e morte.

Características epidemiológicas: No Brasil, tem caráter endêmico e está distribuída em todos os estados.
A LTA é uma zoonose de animais silvestres que atinge o homem quando entra em contato com focos zoonóticos, áreas de desmatamento, extrativismo.
Houve mudança no padrão de transmissão e no perfil dos pacientes afetados; inicialmente, os casos predominavam em adultos jovens do sexo masculino e com a transmissão ocorrendo em periferias de área urbana em ambientes domiciliares e peri-domiciliares, a doença passou a atingir também crianças e mulheres. Atualmente, houve um aumento no registro de casos da co-infecção Leishmania-HIV, passando a ser considerada como emergente e de alta gravidade. Dos 83 casos de co-infecção Leishmania-HIV relatados no Brasil, 62,7% apresentavam LTA na sua forma cutânea (21,8%) e mucosa (40,9%).

Medidas de controle: Tratamento adequado dos casos humanos e redução do contato homem-vetor. O controle químico só é indicado nas áreas com confirmação de transmissão no peri e/ou intra-domicílio.
Quanto ao controle de reservatórios, não é recomendada a realização de inquéritos sorológicos.
Colocação do coleiras impregnadas com Deltametrina em cães.
A eutanásia em cães só é indicada qdo o animal apresenta lesão cutânea c/ confirmação diagnóstica, acompanhada da autorização do proprietário.
Orientação quanto às medidas de proteção individual, como o uso de
roupas apropriadas, repelentes, mosquiteiros, telas finas em portas e
janelas.


Leischimaniose Visceral

Sinonímia: Calazar, Febre Dundun, Doença do Cachorro.
Agente etiológico: causada pelo protozoário da família tripanosomatidae,
gênero Leishmania, espécie Leishmania chagasi.
Apresenta 2 formas: amastigota (intracelular em vertebrados) e
promastígota (tubo digestivo dos vetores invertebrados).
Reservatórios: área urbana, o cão;
no ambiente silvestre, marsupiais (Dedelphis mucura), a raposa (Cerdocion tolos), que agem como mantenedores do ciclo da doença.
O homem também pode ser fonte de infecção.
Modo de transmissão: picada de fêmea do flebótomo Lutzomia longipalpis.
Não há transmissão pessoa a pessoa, nem animal a animal.

A leishmaniose visceral (LV) ou Calazar apresenta-se sob a forma de doença crônica, sistêmica, caracterizada por febre de longa duração, perda de peso, astenia, adinamia, entre outras manifestações.
O número de casos graves ou c/ sintomatologia é relativamente pequeno, sendo mais freqüentes os casos inaparentes ou oligossintomáticos.

Forma Clássica: febre, astenia, adinamia, anorexia, perda de peso e caquexia.
O quadro tem evolução mais prolongada, há alteração do estado nutricional c/ queda de cabelos, crescimento e brilho dos cílios e edema de membros inferiores.
Há hepatoesplenomegalia acentuada, micropoliadenopatia generalizada e intensa palidez de pele e mucosas em conseqüência da severa anemia.
Os fenômenos hemorrágicos são de grande monta: gengivorragias, epistaxes, equimoses e petéquias.
As mulheres freqüentemente apresentam amenorréia. A puberdade fica retardada e o crescimento sofre grande atraso nas crianças e jovens.
Os exames laboratoriais revelam anemia acentuada, leucopenia, plaquetopenia (pancitopenia), hiperglobulinemia e hipoalbuminemia.

As manifestações clínicas da LV refletem o desequilíbrio entre a multiplicação dos parasitos nas células do sistema fagocítico mononuclear (SFM), a resposta imunitária do indivíduo e ao processo inflamatório subjacente.

A leishmaniose visceral (LV) pode também se apresentar sob as formas aguda e refratária.
Forma Aguda : o início é abrupto ou insidioso. Na maioria dos casos, a febre é o 1° sintoma, podendo ser alta e contínua ou intermitente, c/ remissões de 1 ou 2 semanas. Observa-se hepatoesplenomegalia, adinamia, perda de peso e hemorragias. Ocorre anemia com hiperglobulinemia.
Forma Refratária : é a forma evolutiva do calazar clássico que não respondeu ao tratamento, ou respondeu parcialmente ao tratamento c/ antimoniais.
É clinicamente mais grave, devido ao prolongamento da doença sem resposta terapêutica. Causa de óbito - hemorragias e infecções associadas em virtude da debilidade física e imunológica

Período de incubação: 10 dias a 24 meses, sendo, em média, 2 a 4 meses.
Período de transmissibilidade: a partir dos reservatórios animais, enquanto persistir o parasitismo na pele ou no sangue circulante.

Complicações: afecções pleuropulmonares, geralmente precedidas de bronquites; complicações intestinais; hemorragias; traqueobronquites agudas; anemia aguda em fase adiantada da doença podendo levar o doente ao óbito.

Medidas de controle:
Eliminação dos reservatórios: eliminação de cães errantes e domésticos infectados, que são as principais fontes de infecção.
Borrifação com inseticidas químicos deverá ser efetuada em todas as casas com casos humanos ou caninos autóctones.
Limpeza de áreas úmidas, escuras e contendo matéria orgânica nas residências (árvores, galinheiros, canis).


Leptospirose

Sinonímia: Febre dos pântanos, febre outonal, febre dos sete dias, doença dos porqueiros, tifo canino.
Agente etiológico: Leptospiras, microorganismos da família Espiroquetídeos e compreendem 2 espécies L. interrogans e L. biflexa.
Reservatório: Os roedores são os principais reservatórios da doença, principal// os domésticos; atuam como portadores tbém: bovinos, ovinos e caprinos.
Modo de transmissão: Pelo contato com água ou solo contaminados pela urina dos animais portadores, mas raramente pelo contato direto com sangue, tecido,
órgão e urina de animais infectados.
A penetração da leptospira se dá através da pele lesada ou mucosas, mas também pode ocorrer através da pele íntegra quando imersa em água por longo tempo.

Doença infecciosa aguda de caráter epidêmico, com envolvimento sistêmico.
Pode variar desde um processo inaparente até formas graves.

Período de incubação 3 a 13 dias, podendo durar até 24 dias.

Período de transmissibilidade É rara a infecção inter-humana.

Complicações: Hemorragia digestiva e pulmonar maciça, pneumonia intersticial, insuficiência renal aguda, distúrbios do equilíbrio hidroeletrolítico e ácidobásico, colapso cardiocirculatório, insuficiência cardíaca congestiva, c/ falência de múltiplos órgãos e morte.

Características epidemiológicas: É uma zoonose cosmopolita que se constitui problema de saúde pública. Enchentes e chuvas fortes contribuem, nos países tropicais e subtropicais, para o contato do homem com águas contaminadas, urina do roedor, favorecendo o aparecimento de surtos da doença humana
Os principais grupos etários afetados são 20 - 49 anos.
Algumas profissões facilitam o contato com as leptospiras, como veterinários, pescadores, caçadores, agricultores, bombeiros, entre outras.

Medidas de controle: Controle de roedores (anti-ratização e desratização) e melhoria das condições higiênico-sanitárias da população. Evitar entrar em áreas alagadas sem equipamentos de proteção individual.


Malária

Sinonímia: Paludismo, impaludismo, febre palustre, febre intermitente, febre terçã benigna, febre terçã maligna, maleita, sezão, tremedeira, batedeira ou febre.
Agente etiológico: No Brasil, 3 espécies de Plasmodium: P. vivax, P. falciparum e P. malariae.
Reservatório: O homem é o único reservatório importante. Algumas espécies de macacos podem albergar o parasita, porém a transmissão natural é rara.
Vetores: Insetos da ordem dos dípteros, família Culicidae, gênero Anopheles (fêmea).
Modo de transmissão: Os esporozoítas (formas infectantes) são inoculados pela picada através da saliva da fêmea Anopheles infectada.
Os mosquitos, ao se alimentarem em indivíduos infectados, ingerem as formas sexuadas do parasito - gametócitos - que se reproduzem no interior do mosquito, durante 8 a 35 dias, eliminando esporozoítas, durante a picada.
A transmissão também através de transfusões, compartilhamento de seringas, contaminação de soluções de continuidade da pele e, raro, por via congênita.

Doença infecciosa febril aguda, causada por parasito unicelular, caracterizada por febre alta acompanhada de calafrios, suores e cefaléia, que ocorrem em padrões cíclicos, a depender da espécie do parasito infectante.
Outras manifestações são náusea, vômitos, astenia, fadiga, diarréia, tosse,
artralgia e dor abdominal, que podem ser acompanhadas de palidez, icterícia
e hepatoesplenomegalia.

Período de incubação: Em média, de 7 a 14 dias para o P. falciparum,
8 a 14 dias para o P.vivax. 7 a 30 dias para o P. malariae.
Período de transmissibilidade: O homem infecta o mosquito enquanto houver gametócitos no sangue. Se não tratado, o homem é fonte de infecção por + de 3 anos do P. malariae, de 1 a 3 anos do P. vivax, e - de 1 ano do P. falciparum.

Complicações: Malária cerebral, com edema, convulsões, delírio, coma; anemia hemolítica, edema pulmonar agudo, insuficiência renal aguda, hepatopatia aguda, distúrbios do equilíbrio hidroeletrolítico, hipoglicemia, insuficiência adrenal,
disritmias cardíacas e alterações gastrointestinais, como diarréia profusa,
hemorragia.
As formas graves estão relacionadas à parasitemia elevada, acima de 2% das hemácias parasitadas, podendo atingir até 30% dos eritrócitos.

Características epidemiológicas
A área endêmica da malária, no Brasil, correspondendo a 81% do território (principalmente Amazônia Legal)
A transmissão nessa área está relacionada à abertura de novas fronteiras, ao crescimento econômico desordenado e, principalmente, à exploração de minérios. Cerca de 99,5% dos exames positivos para malária são de indivíduos originários
da Amazônia Legal, sendo em torno de 41% das infecções por P. falciparum.

Medidas de controle:
Controle de larvas e de mosquitos adultos. O controle larvário pode ser realizado através do ordenamento do meio (drenagem, aterro, controle de vegetação), larvicidas químicos ou controle biológico. No controle dos vetores adultos, o programa de malária utiliza o controle químico (aplicação intradomiciliar de inseticida de efeito residual e pulverização espacial de inseticida).


Peste

Agente etiológico: Yersinia pestis, bacilo gram negativo, c/ coloração mais acentuada nos pólos (coloração bipolar).
Reservatórios: Roedores silvestre-campestres (Bolomys, Calomys, Oligoryzomys, Oryzomys,
Galea, Trichomys) e comensais (Rattus rattus,) e os lagomorfos (coelhos, lebres).
Vetores: Pulgas infectadas: Xenopsylla cheopis, Polygenis bolhsi jordani e Polygenis tripus (dos roedores silvestres e comensais), Pulex irritans (Pulga do
homem), Ctenocephalides felis (parasito de cães e gatos), e outras.

Modo de transmissão: O principal modo de transmissão da Yersinia pestis ao homem é a picada de pulgas infectadas.
A transmissão da pode ser resumida das seguintes formas: roedor silvestre - pulga - homem ou roedor silvestre - pulga - roedor comensal - pulga homem.
A forma mais freqüente de transmissão pessoa a pessoa é a partir das gotículas de pacientes com peste pneumônica e os fômites são transportados pelo ar. Tecidos de animais infectados, fezes de pulgas, culturas de laboratório também são fontes de contaminação
Período de incubação: De 2 a 6 dias.

Se manifesta no homem sob 3 formas principais: bubônica, septicêmica e pneumônica.
A peste bubônica ou ganglionar é a + freqüente e pode haver abortos, que apresentam adenopatia com ou sem supuração, até casos graves e letais.
Têm início abrupto, com febre alta, calafrios, cefaléia intensa, dores generalizadas, anorexia, náuseas, vômitos, confusão mental, congestão das conjuntivas, pulso rápido e irregular, taquicardia, hipotensão arterial, prostração e mal-estar geral. Após 2-3 dias, aparecem as manifestações de inflamação aguda e dolorosa dos gânglios linfáticos da região que foi o ponto de entrada da bactéria (bubão pestoso), onde a pele fica brilhosa, distendida, vermelha/violácea, com ou sem
hemorragias e necrose. Os bubões são bastante dolorosos e fistulam.
A forma septicêmica primária cursa com bacilos no sangue: febre elevada, hipotensão arterial, grande prostração, dispnéia, fácies de estupor, hemorragias cutâneas, às vezes serosas e mucosas e até nos órgãos internos. Culmina com coma e morte no fim de 2-3 dias, se não houver tratamento. Geralmente, a peste septicêmica aparece na fase terminal da peste bubônica não tratada.
A forma pneumônica pode ser primária ou secundária à peste bubônica ou septicêmica por disseminação hematogênica. É a + grave e mais perigosa.
Alta contagiosidade e letalidade, podendo provocar epidemias explosivas.
Inicia-se com quadro infeccioso grave, de evolução rápida (febre muito alta, calafrios, arritmia, hipotensão, náuseas, vômitos, astenia, obnubilação). Depois surgem dores no tórax, respiração curta e rápida, cianose, expectoração sanguinolenta ou rósea, fluida, muito rica em bacilos. Fenômenos de toxemia, delírio, coma e morte, podem ocorrer se não houver do tratamento precoce.

Período de transmissibilidade:
As pulgas permanecem infectadas durante vários dias e até meses.
A peste bubônica não é transmitida de pessoa a pessoa, exceto se houver contato com o exsudato de bubão
A peste pneumônica é altamente transmissível de pessoa a pessoa e seu período de transmissibilidade começa com o início da expectoração, permanecendo enquanto houver bacilos no trato respiratório. Esse período depende também do tratamento da doença.

Complicações: Choque séptico, insuficiência respiratória aguda.

Características epidemiológicas: Apesar de ser uma enzootia de roedores silvestres-campestres, que só esporadicamente atinge roedores comensais e o homem, a peste tem grande importância epidemiológica pelo seu potencial epidêmico, sendo por isso uma doença sujeita ao Regulamento Sanitário Internacional. Sua cadeia epidemiológica é complexa, pois envolve roedores, carnívoros domésticos (cães e gatos) e silvestres (pequenos marsupiais), pulgas e o homem. A sua persistência em focos naturais delimitados, no Brasil (estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro) e em outros países do mundo, torna difícil sua erradicação e impõe a manutenção da sua vigilância e controle, mesmo com baixas incidências.

Medidas de controle
Evitar acesso dos roedores aos alimentos e abrigo; evitar picadas de
pulgas em humanos;
Eliminar as pulgas das roupas e habitação através do uso de inseticidas.
Se houver indicação de desratização, eliminar as pulgas antes, para que as mesmas não invadam o ambiente doméstico e adotar medidas de anti-ratização.


Psitacose

Sinonímia: Ornitose.
Agente etiológico: Chlamydia psittaci.
Reservatório: pássaros, principalmente os psitacídeos (papagaios, araras, periquitos), podendo ser acometidos pombos, perus e gansos; algumas espécies de mamíferos também podem ser afetados, como caprinos e ovinos.
Modo de transmissão: Via respiratória, através da aspiração de poeira contaminada por dejetos dos animais doentes ou portadores. Apesar de rara, é possível a transmissão via respiratória, de pessoa a pessoa, na fase aguda da doença.

Doença infecciosa aguda produzida por clamídias, que cursa com febre, prostração, tosse, cefaléia, calafrios, acompanhados de acometimento das vias aéreas superiores ou inferiores.
Os pacientes acometidos podem apresentar epistaxe, esplenomegalia, sendo o quadro pulmonar compatível com o de pneumonia atípica. Ocorre, ainda, distensão abdominal, obstipação ou diarréia, delírio e lesões cutâneas sob a forma de roséolas, similares à febre tifóide. A enfermidade, em geral, é leve ou moderada no homem, podendo ser mais grave em idosos que não recebam tratamento adequado.
Período de incubação: De 1 a 4 semanas.
Período de transmissibilidade: de semanas ou meses.
Complicações: Pericardite, miocardite, endocardite, tromboflebite superficial, hepatites e encefalopatia são complicações não muito freqüentes.
Características epidemiológicas: Acomete, principalmente, indivíduos que mantêm contato direto com aves e animais.
Medidas de controle:
Cuidados de higiene e desinfecção nos locais de venda de animais, aviários, granjas.


Raiva

Agente etiológico: um vírus RNA, do gênero Lyssavirus, da família Rhabdoviridae.
Reservatório: Cão, gato, morcego, raposa, coiote, chacal, gato do mato, jaritaca, guaxinim, mangusto, e macaco etc.
Modo de transmissão:A transmissão da raiva se dá pela inoculação do vírus contido na saliva do animal infectado, principalmente pela mordedura e, mais raramente, pela arranhadura e lambedura de mucosas.
Existe o relato, de 8 casos de transmissão inter-humana, após transplante de córnea. A via respiratória também é aventada, mas com possibilidade remota.

A raiva é uma moléstia infecciosa aguda, com prognóstico fatal, causada por um vírus que se propaga no sistema nervoso central, passa para as glândulas salivares, onde também se replica, dali sendo eliminado na saliva das pessoas ou animais enfermos. Penetra no organismo através de soluções de continuidade produzidas por mordeduras ou arranhaduras.
Após um período variável de incubação, aparece um pródromo inespecífico
de 2 - 4 dias, c/ o paciente apresentando mal-estar geral, pequeno aumento de temperatura corpórea, anorexia, cefaléia, náuseas, dor de garganta, entorpecimento, irritabilidade, inquietude e sensação de angústia. Podem ocorrer hiperestesia e parestesia nos trajetos de nervos periféricos, próximos ao local da mordedura, e alterações de comportamento. A infecção progride, surgindo manifestações de ansiedade e hiperexcitabilidade crescentes, febre, delírios, espasmos musculares involuntários generalizados e/ou convulsões.
Ocorrem espasmos dos músculos da laringe, faringe e língua, quando o paciente vê ou tenta ingerir líquido, apresentando sialorréia intensa.
Os espasmos musculares evoluem para quadro de paralisia, levando a alterações cárdio-respiratórias, retenção urinária e obstipação intestinal.
O paciente se mantém consciente, com período de alucinações, até a instalação do quadro comatoso e evolução para óbito.
São ainda observadas disfagia, aerofobia, hiperacusia, fotofobia.
O período de evolução do quadro clínico, depois de instalados os sinais e sintomas, até o óbito,varia de 5 a 7 dias.
Período de incubação: extremamente variável, desde dias até 1 ano, c/ média de 45 dias,no homem, e no cão de 10 dias a 2 meses.
Em crianças, existe tendência para um período de incubação menor.
O período de incubação está intrinsecamente ligado a: localização e gravidade da mordedura, arranhadura ou lambedura de animais infectados, proximidade de troncos nervosos e quantidade de partículas virais inoculadas


Período de transmissibilidade: Nos cães e gatos, a eliminação de vírus pela saliva se dá de 2 a 5 dias antes do aparecimento dos sinais clínicos, persistindo durante toda evolução da doença.
A morte do animal ocorre, em média, entre 5 a 7 dias após a apresentação
dos sintomas. Em relação aos animais silvestres, há poucos estudos sobre o período de transmissão, sabendo-se que varia de espécie para espécie.
Por exemplo: especificamente os quirópteros podem albergar o vírus por longo período, sem sintomatologia aparente.

Características epidemiológicas: Todos os animais de sangue quente são suscetíveis à infecção pelo vírus rábico.


Raiva Canina e Felina

O período de incubação varia com o local da mordida sendo menor em casos de mordedura na cabeça e pescoço. Para gatos, varia de 2 a 8 semanas após a exposição, sendo que na maioria dos casos observa-se uma média de 15 a 25 dias. Já para cães o período de incubação costuma variar de 3 a 8 semanas.
Sinais Clínicos:
Classicamente, a enfermidade apresenta três estágios, os quais são mais facilmente identificáveis nos cães do que nos gatos: a) Fase Prodrômica b) Fase Excitatória (ou hiper-reativa) c) Fase Paralítica Fase Prodrômica – precede o aparecimento dos sinais clínicos Tem duração de 1 a 3 dias e caracteriza-se por alterações comportamentais (animais selvagens perdem o receio de pessoas, animais de estimação tornam-se apreensivos e amedrontados). Pode se observar redução na intensidade dos reflexos córneo-palpebrais, bem como auto-mutilação no local da mordida. Em alguns gatos não se detecta a fase prodrômica, sendo os primeiros sinais observados a presença de fraqueza e ataxia. Fase Excitatória ou Hiper-Reativa – Caracteriza-se pela compulsão de morder, o que explica a denominação de “raiva furiosa”. Quando os sinais de hiper-reatividade não ocorrem ou são muito suaves, os animais mostram-se alheios ao meio ambiente, em estado de estupor (*) (“raiva muda”). Gatos tendem a mostrar os sinais “furiosos” de maneira mais intensa que os cães, sendo a agressividade um fato comum no gato raivoso. Os episódios são frequentemente induzidos por estímulos visuais ou auditivos. Fase Paralítica – Ocorre paralisia muscular laringo-faringeana, responsável por disfagia (dificuldade de deglutir), sialorréia, dispnéia e alterações vocais (ficam roucos). O dano aos neurônios motores resulta em paralisia, que cursa geralmente com ataxia ascendente dos membros pélvicos, processo este que evolui para todo o corpo. Diagnóstico: Apesar da suspeita clínica a confirmação depende de exames post-mortem. Tratamento e Prevenção: Não se recomenda o tratamento de animais raivosos em função do risco de exposição humana. A prevenção da raiva se faz pela imunização de cães e gatos e pelo controle de animais sem dono. Existem diversos tipos de vacina disponíveis no mercado sendo que as mais seguras e eficientes são aquelas produzidas a partir de vírus inativado. O protocolo de vacinação mais aceito é o de uma dose aos três ou quatro meses de idade, seguida por revacinações anuais. Cães e gatos clinicamente saudáveis, com proprietários conhecidos, que morderam pessoas, devem ser mantidos em confinamento para observação por 10 dias.

Teníase / Cisticercose

Sinonímia: Solitária, lombriga na cabeça.
Agente etiológico: Taenia solium é a tênia da carne de porco e a
Taenia saginata é a da carne bovina.
Os 2 cestódeos causam doença intestinal (teníase) e ovos da T. solium desenvolvem infecções somáticas (cisticercose).
Reservatório: O homem é o único hospedeiro definitivo da forma adulta da Taenia solium e da Taenia saginata.
O suíno ou o bovino são os hospedeiros intermediários, por apresentarem a forma larvária nos seus tecidos.
Modo de transmissão: A teníase é adquirida através da ingestão de carne de boi ou de porco mal cozida, que contém as larvas. Quando o homem ingere, acidentalmente, os ovos de T. solium, adquire a cisticercose.

O complexo teníase/cisticercose constitui-se de 2 entidades mórbidas distintas, causadas pela mesma sp de cestódeo, em fases diferentes do seu ciclo de vida.
A teníase é provocada pela presença da forma adulta da Taenia solium ou da Taenia saginata, no intestino delgado do homem.
A cisticercose é causada pela larva da Taenia solium nos tecidos.

A teníase é uma parasitose intestinal que pode causar dores abdominais, náuseas, debilidade, perda de peso, flatulência, diarréia ou constipação.
Quando o parasita permanece na luz intestinal, o parasitismo pode ser considerado benigno e pode requerer intervenção cirúrgica por penetração em apêndice, colédoco, ducto pancreático.

As manifestações clínicas da cisticercose (larvas da Taenia solium) dependem da localização, tipo morfológico, número de larvas que infectaram o indivíduo, da fase de desenvolvimento dos cisticercos e da resposta imunológica do hospedeiro. As formas graves são no SNC e vemos sint. neuro-psiquiátricos (convulsões, distúrbio de comportamento, hipertensão intracraneana) e oftálmicos.

Período de incubação: Da cisticercose humana, varia de 15 dias a anos após a infecção. Para a teníase, +/- 3 meses após a ingesta da larva, já há o parasita adulto no intestino delgado humano.
Período de transmissibilidade: Os ovos das tênias permanecem viáveis por vários meses no meio ambiente, que é contaminado pelas fezes de humanos.
Complicações: Da teníase: obstrução do apêndice, colédoco, ducto pancreático.
Da cisticercose: deficiência visual, loucura, epilepsia, entre outros.

Características epidemiológicas: A América Latina - área de prevalência elevada de neurocisticercose Cisticercose suína nas Américas não está bem documentada.No Brasil cada vez mais diagnosticada, principalmente nas regiões Sul e Sudeste.

Tétano acidental

Agente etiológico: Clostridium tetani, bacilo gram (+), anaeróbio esporulado, produtor de exotoxinas, sendo a tetanopasmina responsável pelo quadro.
Reservatório: trato intestinal do homem e dos animais, solos agriculturados, pele e/ou qualquer instrumento pérfuro-cortante contendo poeira e/ou terra.
Modo de transmissão: A transmissão ocorre pela introdução dos esporos em uma solução de continuidade (ferimento), geralmente do tipo perfurante, contaminado c/ terra, poeira, fezes de animais ou humanas. Queimaduras são porta de entrada e tecidos necrosados favorece o desenvolvimento do agente anaeróbico.

É uma toxinfecção grave causada pela toxina do bacilo tetânico.
Se manifesta por: hipertonia mantida dos músculos masseteres (trismo e riso sardônico) e dos músculos do pescoço (rigidez de nuca), ocasiona dificuldade de deglutição (disfagia), que pode chegar à contratura muscular generalizada (opistótono); rigidez muscular progressiva, atingindo os músculos reto-abdominais (abdome em tábua) e o diafragma, levando à insuficiência respiratória; também ocorrem crises de contraturas desencadeadas, em geral, por estímulos luminosos, sonoros ou manipulação do doente.
Período de incubação: de 2 a 21 dias, geralm// em torno de 10 dias.
Quanto menor o tempo de incubação, maior a gravidade.
Período de transmissibilidade: não é doença contagiosa.
Complicações: Parada respiratória e/ou cardíaca, disfunção respiratória, infecções secundárias, diasautonomia; crise hipertensiva, taquicardia, fratura de vértebras, hemorragia intracraniana, edema cerebral, flebite e embolia pulmonar.

Medidas de Controle:
a) Vacinação
b) Profilaxia - São focos em potencial de contaminação pelo bacilo: ferimentos contaminados por poeira, terra, fezes de animais ou humanas; fraturas expostas, com tecidos dilacerados e corpos estranhos; queimaduras; mordeduras de animais peçonhentos. Todo ferimento suspeito deve ser limpo com água e sabão, além de ser debridado amplamente.
Após a remoção de tecido necrosado e de corpos estranhos, deve-se fazer limpeza com água oxigenada ou solução de permanganato de potássio a 1:5000.


Toxoplasmose

Agente etiológico: Toxoplasma gondii, um protozoário coccídio intracelular, e pertencente à família Soncocystidae, na classe Sporozoa.
Reservatório: Hospedeiros definitivos p/ a forma sexuada do T. gondii - gatos, os quais são os principais reservatórios da infecção.
Hospedeiros intermediários - homens e mamíferos não felinos.
Modo de transmissão: O homem adquire a infecção por três vias:
a) A ingestão de oocistos por meio de água, solo, areia, latas de lixo contaminados com fezes de gatos infectados;
b) Manipulação de carne crua, ingestão de carne infectada, crua e mal cozida, contendo cistos, especialmente carne de porco e carneiro;
c) Infecção transplacentária, ocorrendo em 40% dos fetos de mães que adquiriram a infecção durante a gravidez;
d) Transfusão sanguínea ou transplante de órgãos de doador infectado.

Período de incubação: 10 a 23 dias, quando a fonte é a ingestão de carne;
5 a 20 dias quando se relaciona c/ contato c/ animais.

A toxoplasmose é uma zoonose cosmopolita, causada por protozoário.

Quadro clínico variada de infecção assintomática a manifestações sistêmicas extremamente graves.

Toxoplasmose febril aguda: Infecção inicial é assintomática, ou sob a forma de síndrome gripal, podendo cursar com linfadenopatia, c/ evolução benigna, geralmente em pacientes imunocompetentes. Em muitos casos, a infecção generaliza-se e surge exantema. Pode ocorrer pneumonia difusa, miocardite, miosite, hepatite, encefalite e exantema máculo-papular.
Linfadenite toxoplásmica: Quadro de linfadenopatia localizada, especialm// em mulheres e, envolvendo os nódulos linfáticos cervicais posteriores ou, + raramente, linfadenopatia generalizada.
Toxoplasmose ocular: A coriorretinite é a lesão + freqüente// associada à toxoplasmose, o toxoplasma e causador de 30 a 60% dos pacientes com esta enfermidade. 2 tipos de lesões de retina podem ser observados:
a) retinite aguda, c/ intensa inflamação; e
b) retinite crônica c/ perda progressiva de visão, podendo chegar à cegueira.
Toxoplasmose congênita: Resulta da infecção intra-uterina, variando de assintomática à letal, dependendo da idade fetal e de fatores não conhecidos.
Os achados comuns são prematuridade, baixo peso, coriorretinite pós-maturidade, estrabismo, icterícia e hepatomegalia.
Se a infecção ocorreu no último trimestre da gravidez, o recém-nascido pode apresentar, principalmente, pneumonia, miocardite ou hepatite com icterícia, anemia, plaquetopenia, coriorretinite, ausência de ganho de peso ou pode permanecer assintomático.
Se ocorreu no segundo trimestre, o bebê pode nascer prematuramente, mostrando sinais de encefalite com convulsões, pleocitose do líquor e calcificações cerebrais. Pode apresentar a Tétrade de Sabin: microcefalia com hidrocefalia, coriorretinite, retardo mental e calcificações intracranianas.
Toxoplasmose no paciente imunodeprimido: Os cistos do toxoplasma persistem por um período indefinido e qualquer imunossupressão significativa pode ser seguida por um recrudescimento da toxoplasmose. As lesões são focais e vistas com maior freqüência no cérebro e, menos freqüentemente, na retina, miocárdio e pulmões.
As condições mais comumente associadas a essa forma são: aids, doença de Hodgkin e uso de imunossupressores.

Período de transmissibilidade: Não se transmite diretamente de uma pessoa a outra, com exceção das infecções intra-uterina.

Medidas de controle: Evitar o uso de produtos animais crus ou mal cozidos (caprinos e bovinos); incinerar as fezes dos gatos; proteger as caixas de areia, para que os gatos lá não defequem; lavar as mãos após manipular carne crua ou terra contaminada; evitar contatos de grávidas com fezes de gatos.


Tuberculose

Agente Etiológico: Mycobacterium tuberculosis.
Reservatório: O homem (principal) e o gado bovino doente.
Modo de transmissão: Através da tosse, fala e espirro.

Maior predomínio nos indivíduos economicamente ativos (15-54 anos); Os homens adoecem 2 vezes mais do que as mulheres.
Doença infecciosa, atinge principalmente o pulmão. Após a inalação dos bacilos
estes atingem os alvéolos (primoinfecção), onde provocam uma reação inflamatória e exsudativa do tipo inespecífico. A infecção benigna pode atingir linfonodos e outras estruturas; em 95% dos indivíduos infectados o sistema imunológico consegue impedir o desenvolvimento da doença.
Em 5% dos indivíduos, observa-se a implantação dos bacilos no parenquima pulmonar ou linfonodos, iniciando-se a multiplicação, originando-se o quadro de tuberculose primária.
A tuberculose pós-primária ocorre em indivíduos que já desenvolveram alguma imunidade, através da reativação endógena ou por reinfecção exógena, sendo a forma pulmonar a mais comum. Os sinais e sintomas mais freqüentes são: comprometimento do estado geral, febre baixa vespertina com sudorese, inapetência e emagrecimento.
Na forma pulmonar há dor torácica, tosse inicialmente seca e posteriormente produtiva, acompanhada ou não de escarros hemoptoicos.
Nas crianças é comum o comprometimento ganglionar mediastínico e cervical (forma primária) que se caracteriza por lesões bipolares: parênquima e gânglios. Nos adultos, a forma pulmonar é a mais freqüente. Pode afetar qualquer órgão ou tecido, como pleura, linfonodos, ossos, sistema urinário, cérebro, meninges, olhos, entre outras.
A forma extra-pulmonar é mais comum nos hospedeiros com pouca imunidade, surgindo com maior freqüência em crianças e indivíduos com infecção por HIV.

Período de incubação: em torno de 6 a 12 meses após a infecção inicial.

Período de transmissibilidade: Enquanto o doente estiver eliminando bacilos e não houver iniciado tratamento. Com o tratamento a transmissão é reduzida, gradativamente em algumas semanas.

Complicações: Distúrbio ventilatório; infecções respiratórias de repetição; formação de bronquiectasias; hemoptise; atelectasias; empiemas.

Características epidemiológicas: mais de 50 milhões de pessoas estão infectados pelo M. tuberculosis, com aproximadamente 85 mil novos casos por ano e 5 a 6 mil óbitos anuais.

Tularemia

Sinonímia: Febre do coelho
Agente etiológico: bactéria Francisella tularensis

Tipicamente rural, a doença é normalmente encontrada em roedores, coelhos e lebres. Além de ser transmitida por carrapatos, a tularemia também pode ser adquirida por meio de outros insetos, e pela manipulação de carcaças de animais infectados e peles. Embora menos freqüente, o contágio também pode se dar pela ingestão de água e alimentos contaminados, ou ainda por inalação da bactéria. A tularemia não é transmitida diretamente de pessoa para pessoa.

Os sintomas mais comuns são uma ferida que demora a cicatrizar (úlcera) e aumento de volume dos gânglios (linfonodos). Um sintoma menos freqüente é um mal-estar repentino acompanhado de febre alta, calafrios, dores de cabeça e cansaço. Mais raramente, as pessoas apresentam tosse, dores nas articulações, dor no peito, vômitos, dor de garganta, inflamação nos olhos (conjuntivite), dor de barriga e diarréia.
Período de incubação: 3-5 dias após a exposição à doença, embora possa ser de até 21 dias.